Livro: “As Regras da Sedução” – Madeline Hunter

“Quando o desejo de ter sua companhia tinha feito com que mudasse de hábitos? Quando o humor dela passara a influir no seu? O sorriso dela trazia alegria e suas expressões de preocupação traziam inquietação. De uma forma ou de outra, ela enchia seus pensamentos, distraindo-o. Nenhum assunto tinha apelo suficiente para mantê-lo afastado dela.”

Oi, pessoal!

Uma das coisas gostosas que o evento de Romances de Época me trouxe foi a oportunidade de ler livros de autoras que eu não conhecia, e de um gênero literário diferente daquele que costumo ler com mais frequência.

Quem me conhece sabe que amo romances e histórias de época, mas elas nunca se refletiram tanto assim nas minhas leituras. Era um lado bem mais cinematográfico, pois, sempre que posso, assisto um filme desse gênero.
Em maio, tive o prazer de conhecer uma das famílias mais interessantes do mundo dos romances de época: os Rothwells! Já terminei a série toda e hoje venho compartilhar com vocês minha opinião sobre cada um dos quatro livros, começando, lógico, pelo primeiro.

“As Regras da Sedução” (título original: “The Rules of Seduction“), da autora Madeline Hunter (Editora Arqueiro, 2013, 272 páginas) é o primeiro livro da saga dos herdeiros da família Rothwell. Os herdeiros são três: Christian, o mais velho; Hayden, o irmão do meio, e Elliot, o caçula.

Eles fazem parte da nobreza de Londres, pois o pai dos rapazes era o Marquês de Easterbrook. Com a morte dele, o título que possuía foi repassado para o irmão mais velho, Christian. A mãe deles também é falecida, e em torno do relacionamento dos pais existe um segredo enorme, que angustia os irmãos, pois o casamento deles foi cercado por uma grande crise.
Eles tem características muito peculiares e, ao mesmo tempo, comuns entre eles: os três são donos de um temperamento forte, viril, frio, possessivo. São autoconfiantes demais e humildes de menos. Mas, apesar do espírito rústico, todos tem sua própria beleza – e ouso dizer que esse lado mais duro de cada um acaba por deixá-los mais belos. No entanto, isso não os torna homens ruins. Muito pelo contrário: é quase impossível não se apaixonar por eles!
Uma das coisas que mais chama atenção nos irmãos, também, é a capacidade que eles tem de escapar do mundo quando não querem ser perturbados ou quando querem um escape da realidade. Cada um tem seu modo de se refugiar e, a cada livro, descobrimos mais e mais da personalidade deles e essas nuances específicas de cada um.

O primeiro livro, no entanto, nos apresenta a Hayden, o irmão do meio e, após essa introdução, vamos focar apenas nele e na sua história.
A sinopse do livro é a seguinte:

Lorde Hayden Rothwell chega à casa de Alexia Welbourne sem aviso e sem ser convidado – um homem poderoso e sedutor, movido por interesses obscuros. Sua visita anuncia a ruína financeira da família de Alexia e o fim das esperanças da jovem de um dia conseguir um bom casamento. Para se sustentar, a moça recebe a proposta de ser dama de companhia de Lady Henrietta Wallingford e preceptora de sua filha. O problema é que a oferta vem do sobrinho de Henrietta, ninguém menos que lorde Hayden.Morando na casa da tia de Rothwell, Alexia descobre que a proximidade com o homem que destruiu sua família pode ser perigosamente irresistível. Num gesto impensado, ela se entrega a ele, e ambos se veem obrigados a se casar. O que Alexia não sabe é que os atos aparentemente arrogantes de seu belo e sensual marido são motivados por uma dívida de honra que pode levá-lo a sacrificar tudo.Com tantas mágoas e segredos entre eles, o casal tem tudo para se manter afastado. Mas Hayden é um homem apaixonante e Alexia, a tentação que o faz perder a cabeça. Morando sob o mesmo teto, eles acabam se aproximando e, juntos, vão descobrir um jogo de sedução em que cada um faz as próprias regras.


Alexia Welbourne é aquele tipo de “mocinha” que já passou por poucas e boas e, ainda assim, consegue manter-se em pé com orgulho. Em seu passado, sofreu com a falência da família e ficou sem nem ao menos um lugar para morar. Em desespero, ela escreve uma carta a seus primos, os Longworths, pedindo para morar com eles. Seu pedido é aceito e, desde então, ela, Roselyn (Rose), Irene, Timothy (Tim) e Benjamin (Ben) passam a viver juntos na mesma casa, como uma grande família, até que a visita de Hayden vira tudo de cabeça para baixo novamente.

Anunciando a falência da família, ele passa a ser odiado por todos, principalmente por Alexia. No entanto, alguma coisa na moça chama a atenção do Lorde. Embora tenha uma aparência comum, Alexia é portadora de intensos olhos de cor violeta, que encantam Hayden e o fazem se perder em um jardim cheio de flores.
A família logo é obrigada a não dar mais assistência a Alexia, pois não tinham como sustentar mais uma pessoa com o recursos escassos pós-falência. Diante do quadro em que ela se encontra, Hayden faz a proposta de que ela trabalhe para sua tia, que acaba adquirindo a mesma casa onde a família Longworth morava. A situação a deixa tensa: a princípio, morava na casa como dona e, depois, vê-se trabalhando no mesmo lugar como empregada…
Embora ela odeie Hayden por deixá-la nessa situação, também há algo nele que desperta o interessa dela. E é entre essas sensações contraditórias de admiração, ódio e desejo que os sentimentos deles dois se intensificam e se transformam.

O que achei? Apaixonada é pouco! De todos os livros que li da série, posso afirmar que o primeiro é, sem dúvida, meu preferido!

Fiquei extremamente encantada com Alexia e Hayden, com a força e sinceridade de cada personagem, que se complementava e crescia a cada página.
Embora a série tenha sido batizada com o nome dos irmãos Rothwell, não são eles quem roubam a cena, mas as mocinhas! Alexia é extremamente forte! Longe de ser a virgenzinha ingênua que costumamos encontrar neste tipo de história, ela é aquele tipo de pessoa que faz de tudo pelo seu próximo para vê-lo bem. Ainda, não se importa de passar por cima de regras sociais para atingir seus objetivos, especialmente se for para beneficiar alguém que ama.
Achei também muito interessante a autora tê-la descrito como uma “mulher comum”. Muitas vezes não sentimos aquela verossimilhança com as personagens dos livros, por serem bastante endeusadas. No entanto, Alexia é a prova de que a beleza excepcional não é requisito nenhum para amar e ser amada com a mesma intensidade. Ainda assim, consigo imaginá-la como uma mulher maravilhosa!
Hayden também é o tipo de personagem que me faz apaixonar desde as primeiras linhas. É justo, correto e sensato. E, embora a sinceridade dele às vezes machuque, é muito louvável todo o comportamento digno de um cavalheiro que ele tem com Alexia.
Madeline me encantou por ter criado um romance intenso em todos os sentidos. O livro não se centra apenas no romance. Ele também é cercado de assuntos mais sérios e maduros, como a corrupção, os costumes da época, a forma como a mulher era tratada na sociedade. A autora, que é ph.D em História da Arte, nos faz ter a certeza de que existiu todo um processo de estudo para criar o plano de fundo e o enredo da história.
Também me surpreendi por encontrar trechos bem mais quentes do que imaginei encontrar em um romance de época. Não chegam a ser tão explícitos como em um livro erótico, pois a linguagem utilizada faz o ato parecer até poético. Ainda assim, acho válido comentar a respeito, pois sei que algumas pessoas não gostam de leituras com esse tipo de narrativa.
Outro ponto que merece destaque: embora seja narrado em terceira pessoa, cada capítulo ou trecho remete ora a visão de Alexia, ora aos pensamentos de Hayden, o que nos garante ter sempre a percepção de cada personagem a respeito do mesmo acontecimento, e não nos torna leitores imparciais. Uma sacada incrível que casou super bem durante todo o livro!

Por fim, apesar de todos os romances terem um certo clichê de final feliz, houveram dois acontecimentos durante o livro que me deixaram com a boca aberta, sabe? Adoro ser surpreendida durante minha leitura e a Madeline fez isso muito bem! <3

Quanto ao aspecto editorial: não tenho reclamação nenhuma! A edição está belíssima, sem erros (ao menos não encontrei nenhum durante a leitura). As páginas são grossas e amareladas, de ótima qualidade. A fonte utilizada tem um bom tamanho e não cansa a vista durante a leitura.
Não sei se isso pode ser um ponto ruim para alguém, mas, quando um capítulo encerra, ele não inicia em uma nova página. Logo, a história é “corrida”. Não me atrapalhou em nada, pelo contrário: li de um jeito tão frenético que não queria pausas, rs.

A capa é fosca, mas tem uns destaques envernizados que a fazem ficar mais bela. A Editora Arqueiro vai relançar esse volume com uma capa mais linda ainda! Coloco abaixo para vocês compararem:

Achei belíssima! <3
Para deixar vocês com um gostinho do livro, seguem as quotes que achei mais belas (motivo pelo qual, nas outras imagens, meu livro está todo marcadinho, rs):

❤ “O coração humano pressente que o sofrimento está chegando com tanta certeza quanto um cavalo percebe uma tempestade que se aproxima” (p. 07);
❤ “O olhar dele era penetrante demais, enxergava demais. Ela sentiu como se ele estivesse lendo seu coração” (p. 56);
❤ “Não queria perder aquele contato físico. Mesmo quando suas mãos empurraram o peito dele, tentando se soltar, grande parte dela queria se fundir nele, não importando quem ele era, nem a vergonha que adviria” (p. 66);
❤ “A paixão tem seu lugar, mas é a mente  que deve comandar seus atos. As emoções levam a impulsos que destroem a honra, a fortuna e a felicidade” (p. 72);
❤ “Se o amor não podia impedir um homem de se matar, então o que poderia?” (p. 102);
❤ “Sempre pressupus que seria horrível ser beijada por um homem a quem não amo, mas estava errada. Descobri que amor e paixão não são a mesma coisa” (p. 127);
❤ “Às vezes a coisa certa não é a melhor a se fazer. Apesar de estar demonstrando a honra que seu pai pregava, imaginava se também não estaria se tornando a prova do que o pai dizia sobre o impulso da paixão e o sofrimento que ela gerava” (p. 134);
❤ “Ele abriu o robe. A luz tênue destacou os ângulos duros de seu corpo e rosto. O espanto dela diante da beleza do marido obscureceu os pensamentos que tinham preenchido a última hora” (p. 168);
❤ “Já desistira de se ressentir ou de lutar contra as verdades da vida. Quando não se pode mudar algo, quando não se pode vencer, a rebeldia só leva a mais infelicidade” (p. 179);
❤ “O distanciamento e a raiva de Hayden a faziam sofrer. Uma dor física, lá dentro do coração. Sentia frio, como se o calor que a banhara tivesse sido retirado. Não percebera a importância dele, mas agora sua falta a assustava” (p. 193);
❤ “Quando esse calor tinha transbordado das horas noturnas, invadindo seu dia? Quando ela havia começado a esperar por ele com tanta ansiedade e encontrado tanto conforto e paz em um simples abraço?” (p. 194);
❤ “Não estava acostumado a ter alguém em seu coração. A pior coisa no amor era que não oferecia certezas absolutas, nem mesmo quanto à sua duração” (p. 257).

NOTA: 

Vocês já leram esse livro? Gostaram? O que acharam da história?
Beijos a todos!

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2 Comentários

  1. Estou MUITO curiosa para ler essa série, só leio elogios! Confesso que romances de época me deixam um pouco desanimada, pois geralmente são histórias clichês, com mocinhas bobas demais, lindas em excesso e "mocinhos" muito perfeitos e completamente machistas com um romance forçado e zzz… Mas essa parece ser um pouco diferente, então assim que puder pretendo dar uma chance aos Rothwell. *-*
    Só uma nota: sempre achei que livros de romance de época são um pouco mais ~sensuais~ do que os outros. Pelo menos eu costumava ler aqueles livros tipo "Julia" da minha mãe e sempre tinha trechos mais hot. 😛

    Só não gostei que o livro é todo "corrido". Me dá uma agonia de parar a leitura quando não tem capítulos que começam em uma nova página, hahaha.

    [N]ayh's Wonderland

    1. Nossa Nayh, é totalmente diferente! Lógico que tem aqueles fatos previsíveis que todo livro tem, mas, na maioria das vezes, acontecem coisas super bacanas que te deixam de boca aberta, haha. E não, as mocinhas não são bobas e os homens não são melosos! Se puder, leia sim! Quero saber o que acha!
      Sobre essa questão do hot, percebi que os romances de banca do tipo que vc falou tem sim esses trechinhos. Mas outros, como os da Julia Quinn e da Lisa Kleypas, não são tão explícitos assim, sabe? São mais românticos. Aí eu pensava que os da Madeline fossem desse tipo. Mas não. Em comparação a eles, é bem mais pesado, hahaha. Não chega a ser ultrajante, entende? Li tranquila e sem me incomodar, mas achei válido mencionar pq já vi gente que tem asco a trechos hot!
      E eu sabia que vc não iria gostar, HAHAHAHA! JURO!!! Por isso tbm achei válido mencionar! xDDD Todo leitor tem sua mania aí lembrei logo de vc, não sei pq!