Livro: “Nada” – Janne Teller

Oi, gente!

“Nada”, da autora Janne Teller, foi o segundo livro que li em 2017 (o primeiro foi o mês de Maio da série “A Garota do Calendário”, mas ainda estou devendo as resenhas a partir do mês de Março pra vocês)!

Ele estava na TBR de janeiro do Clube do Livro Ressaca Literária, aqui de Macapá/AP, e estava bastante ansiosa para lê-lo. Isso porque várias pessoas me disseram que a história era forte, impactante e que você tinha que ter certo estômago pra chegar ao final, embora o livro seja curto. A expectativa era alta e imaginei que fosse desistir – vocês sabem como sou frouxa, rs -, mas acabou que minha experiência foi ao contrário…

O livro conta a história de Pierre Anthon, garoto que está no sétimo ano da escola e tem a certeza, em um insight, de que nada importa na vida. Assim, ele passa os dias sobre os galhos de uma ameixeira, tentando convencer seus colegas de classe a pensar do mesmo jeito que ele: que nada faz sentido na nossa existência. Os outros tentam convencê-lo a descer da árvore, com a justificativa de que existe, sim, coisas no mundo pelas quais devemos nos importar. Diante da recusa de Pierre, seus colegas decidem fazer uma pilha de objetos que possuam um enorme significado para eles – que eles denominam Pilha de Significados -, esperando, assim, persuadi-lo de que está errado. Mas aos poucos a pilha se torna um monumento mórbido, colocando em xeque a fé e a inocência da juventude.

“Nada importa.
Disso eu já sei faz muito tempo.
Então não vale a pena fazer nada.
Acabo de descobrir isso.”

  O que achei?

O livro é narrado por uma das colegas de classe de Pierre, a Agnes. Ela relata desde o dia em que Pierre largou a escola no meio da aula para subir na ameixeira, sem se importar com mais nada, e a saga da turma para tentar fazê-lo descer e entender o significado da vida e todas as coisas.

A ideia do livro é muito interessante, mas, a princípio, quando terminei de ler, bem… Não senti NADA (perdoem-me pelo trocadilho). A narrativa não me envolveu e não me fez sentir qualquer empatia pelos personagens. Não me conectei com o livro, achei o final previsível e não torci por ninguém. Mais ainda, ele não me incomodou, e isso me deixou bem decepcionada, visto que a missão dele era essa.

Antes de mais nada, engana-se quem pensa que se trata de um romance, principalmente pela capa, que não tem NADA a ver com o livro (vou fazer trocadilhos com essa palavra durante toda a resenha, rs). Não existe nada minimamente romântico no enredo. Nem a aparente idade desses modelos bate com a das crianças que protagonizam o livro. Ou seja: se for cair na leitura, não se prenda a nenhum detalhe para que você não seja enganado.

Depois de muito pensar e trocar ideias com amigos – sim, fiquei semanas remoendo o que poderia tirar de conclusão dele, pois odeio ler por ler e não conseguir filtrar nada, rs -, acabei criando algumas teorias sobre o livro que achei legal compartilhar com vocês.

 — Vocês vão à escola para ter um emprego e trabalhar para ter tempo de não fazer nada. Por que, então, não fazer nada desde o início?

Acredito que a intenção da autora foi nos mostrar o quanto nós podemos nos transformar quando alguém ataca algo no qual nós acreditamos. Ainda, no quanto podemos nos tornar uma ameaça quando falamos a verdade. A nossa sociedade é muito hipócrita, inconstante e egoísta. Um comportamento que ameace nosso sistema, nossos crenças e nossa rotina só pode ser visto como ameaça. Se você for parar pra pensar, a reação das crianças de tentar convencer o garoto de que o que elas pensam é a verdade absoluta é exatamente a forma como todos reagem nos dias de hoje. E, se você não concorda, é automaticamente tratado com ira.

A pilha de significados representa diversos tabus da nossa sociedade: a família, a religião, a sexualidade, os dons… Todas essas coisas, que são extremamente significativas para nós, se tornam o estopim para uma guerra pessoal quando são ridicularizadas ou ameaçadas, causando raiva, inveja, falta de piedade, apatia.

Os questionamentos do Pierre foram minhas partes favoritas do livro – o único ponto alto que encontrei na leitura – porque são muito verdadeiros. Nós nascemos em um mundo de convenções predeterminadas, as quais seguimos cegamente. Mas o que aconteceria se, de uma hora para outra, nós parássemos de alimentar o sistema? O resultado inevitável é que os poucos incomodados com as coisas do jeito que são seriam vítimas do histerismo coletivo.

Embora essas reflexões sejam válidas e nos levem a questionar nosso real papel no mundo e a fazer uma avaliação de consciência, ainda assim o livro não foi capaz de me fazer apaixonar. A escrita é fluida, apesar de não a ter achado cativante, e o livro é bem curto, o que garante uma leitura rápida. Mesmo que minha avaliação não seja positiva, recomendo que você leia, pois é interessante ver o que cada um pode retirar de lição dessas 128 páginas!

Ah, se você tem estômago fraco, vá com calma! Próximo ao fim, acontecimentos angustiantes aparecem. Por incrível que pareça, consegui passar tranquila por eles, mas não custa avisar, rs!

“Você começa a morrer no instante em que nasce. E isso vale para tudo.”

E vocês já leram? Qual a opinião de vocês e o que acharam de todas as filosofias sobre os significados?

Vou adorar saber! Deixem aí nos comentários! 😉

Beijos!

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8 Comentários

  1. Oi!
    Que pena que o livro não foi tão envolvente quanto você gostaria, apesar de abordar um tema bastante reflexivo sobre a sociedade. Eu fiquei interessada, e acho que esse seria o tipo de livro que eu leria para tirar minhas próprias conclusões…
    Gostei muito dos quotes que você selecionou.

    Beijos!

  2. Não li esse livro e nem o conhecia também, mas e essa capa que não tem nada haver com a história? Uma pisada feia, eu diria. Mas chegar com expectativas no livro, talvez tenha dificultado para você gostar da leitura, mas você fez uma boa interpretação e o que você falou eu concordo, às vezes a leitura é ruim, mas conseguimos transformar ótimas experiências.
    Trouxa do Livro

  3. Oii
    Nossa, gostei mais das suas conclusões após os inúmeros debates do que a trama em si do livro. Como voc~e disse, de início parece ser uma ideia ótima, mas não sei se conseguiria me envolver com nada. E que história é essa da capa não tem nada a ver com a história? Porque fazem isso? Eu sou dessas que muitas vezes compra o livro pela capa, se fosse este o caso, me decepcionaria e muito.
    Uma pena que você não sentiu nada em relação ao livro. Que a próxima leitura seja melhor! =)

    Vícios e Literatura

  4. Olá, eu ainda não conhecia esse livro, mas pela capa juraria que era um romance, rsrs. Eu passei por uma fase parecida com a do personagem, acredita? Em que não via sentido nenhum na vida e no que fazemos nela, então, acho que seria uma leitura interessante para mim. Ótima resenha.

  5. Olá!
    Pelo que li na resenha o livro não atingiu as suas expectativas e isso é muito ruim. Apesar de você ter tirado ótimas lições e mensagens verdadeiras. O mundo está cada vez mais difícil de se viver e isso me assusta muito.
    Amei a sua resenha.
    Beijinhos!

  6. Olá, tudo bom?
    Uma pena que a leitura não tenha conseguido mexer com você e que o único ponto que mais te cativou foi essa quebra de paradigmas que Pierre representa através de seus discursos. Pela capa eu realmente acreditei ser um romance e bem, mais uma vez a capa não passa a essência do livro,não é mesmo? rs
    Fiquei curiosa para conhecer as falas de Pierre e seus questionamentos abordados no livro e por isso anotei a sugestão aqui! Vou lê-lo sem expectativa nenhuma tendo em vista sua experiência! Adorei a resenha e a sinceridade!

    Beijos!!